Por Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária.
O segundo trimestre de 2025 marcou o segundo maior abate e produção formal da história da pecuária de corte. Foram 10,4 milhões de cabeças abatidas na soma das fiscalizações federal, estaduais e municipais.
O abate gerou 2,64 milhões de toneladas de carcaça. Abate e produção de abril a junho ficam atrás apenas do que foi registrado no terceiro trimestre de 2024.
O peso médio de abate recuou cerca de 2,2% nas comparações de 2025 com 2024. No entanto, aumentou sensivelmente (0,56%) do primeiro ao segundo trimestre de 2025.
Essa redução é consequência da maior proporção de fêmeas no abate e, evidentemente, do período desfavorável que a pecuária passou entre o final de 2022 e primeiro semestre de 2024, com impactos negativos nas finanças dos produtores, que se estenderam até meados de 2025.
O aperto no fluxo de caixa força que produtores de cria ou de ciclo completo aumentou a pressão de abate das fêmeas do rebanho, especialmente vacas adultas.
Ao mesmo tempo, o aumento da produtividade possibilita que maiores quantidades de fêmeas sejam abatidas, o que vem se materializando no acréscimo da proporção de novilhas no abate.
De acordo com os dados detalhados do primeiro trimestre, divulgados pelo IBGE, março de 2025 registrou a maior proporção de fêmeas já abatidas na história, passando de 50% pela primeira vez.
Pelo monitoramento do abate Federal, a proporção de fêmeas continuou subindo até abril para, finalmente, começar a recuar em maio e se estabilizar em junho.
Sendo assim, pela diferença nas proporções entre machos e fêmeas nas três esferas de fiscalização, é de se esperar que a proporção de fêmeas no abate tenha aumentado ainda mais no segundo trimestre quando comparado ao primeiro. Os dados detalhados do IBGE serão disponibilizados na primeira quinzena de setembro.
Pelo abate SIF (fiscalização federal), a proporção de fêmeas foi de 44% no primeiro trimestre e aumentou para 45% na média do segundo trimestre. No acumulado de julho e agosto, essa proporção recuou para 40%. A proporção de vacas no abate sob fiscalização federal é menor quando comparado às fiscalizações estaduais e municipais.
No primeiro trimestre de 2025, vacas acima de 24 meses representaram 27,25% do abate federal. Nas fiscalizações estaduais e municipais representaram, respectivamente, 48,34% e 52,07%.
Enquanto a proporção de vacas acima de 24 meses, assim como fêmeas em geral, no abate federal é menor quando comparada às fiscalizações estaduais e municipais, a proporção de novilhas, abaixo de 24 meses, é maior.
No primeiro trimestre de 2025, as novilhas representaram 16,74% do abate sob fiscalização Federal, enquanto nos abates estaduais e municipais somaram, respectivamente, 13,79% e 13,28% do total.
Esse comportamento é explicado pela maior procura de animais que atendem programas de qualidade de carne diferenciada, focado em novilhas, ou mesmo na maior participação dos frigoríficos SIF na relação com produtores mais tecnificados.
Com maior aporte de tecnologia, aumenta também a intolerância com animais que não respondem às expectativas. Sendo assim, é provável que os produtores estejam sendo mais exigentes com os critérios de descarte a partir do desempenho na reprodução. Se a explicação for essa – que é a leitura atual da Athenagro – a produção de carne deve continuar aumentando, principalmente pelo incremento do peso médio de carcaça a partir do segundo semestre, consequência da mudança na proporção entre machos e fêmeas e pelo maior aporte tecnológico relacionado à nutrição.
Nota: Gráficos relacionados à todas as informações contidas no texto foram disponibilizadas, gratuitamente, nos grupos de whatsapp do Rally da Pecuária. Os grupos são exclusivos para divulgação de informações geradas pela equipe da Athenagro e do Rally da Pecuária. Raramente são enviadas outras informações.
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